Barlow queria um procedimento policial, mas os jogos raramente abordam salas com muito diálogo porque ouvir é passivo. Ele também carregava anos de frustração com gravações de captura de movimento cujas atuações o rig facial não conseguia reproduzir.
A ideia
Parar de animar a atuação: filmar entrevistas reais e fazer da busca no banco de dados de vídeos o jogo inteiro.
Sete entrevistas de 1994 com uma única atriz foram filmadas em uma semana; o jogo coloca os jogadores em uma área de trabalho falsa onde digitar palavras-chave retorna clipes curtos de vídeo de um banco de dados policial, limitado a cinco resultados por busca, e a história só emerge à medida que os clipes são reordenados e relidos.
A PC Gamer deu nota 90 e o chamou de melhor jogo de FMV já feito; venceu Melhor Narrativa no The Game Awards 2015 e três BAFTAs em 2016 (Jogo de Estreia, Inovação em Jogos, Mobile e Portátil), e abriu caminho para uma onda de jogos de FMV e de narrativa movidos por banco de dados.
Contexto
Her Story, lançado em junho de 2015 pelo ex-roteirista de Silent Hill Sam Barlow, dá aos jogadores uma única tarefa: sentar-se em uma área de trabalho de meados dos anos 90, digitar termos de busca em um banco de dados policial e assistir aos clipes curtos de vídeo que retornam. As imagens cobrem sete entrevistas de 1994 com uma mulher sobre seu marido desaparecido; os clipes são fragmentos, e a história do assassinato só se monta à medida que os jogadores desenterram palavras-chave e reordenam o que viram.
A ideia nasceu da frustração de Barlow com a captura de movimento em Silent Hill e Legacy of Kain: Dead Sun, onde atuações sutis se perdiam nos rigs e na animação. Sua solução foi filmar vídeo real com Viva Seifert e fazer da busca em si o jogo, descrevendo a mecânica à PC Gamer como essencialmente 'pesquisar no Google' para atravessar um mistério, com um limite de cinco clipes por busca forçando os jogadores a pesquisar de forma mais inteligente, e não mais rápida.
A aposta era que ouvir e investigar pudessem ser tão envolventes quanto combate. Os críticos concordaram: a PC Gamer deu 90 e o chamou de 'o melhor jogo de FMV já feito', e ele venceu Melhor Narrativa no The Game Awards 2015, além de três BAFTA Games Awards em 2016 (Jogo de Estreia, Inovação em Jogos, Mobile e Portátil). O Engadget mais tarde creditou a ele a criação de uma forma narrativa interativa não linear mais rica do que escolhas ramificadas, uma que trata o jogador como detetive em vez de usuário de menu.
Digitar palavras-chave em um banco de dados de vídeos fez a escuta passiva parecer dinâmica — a interface, não a ação, era o jogo.
Imagens reais superaram a aproximação animada: Barlow observou que a elaborada solução de captura de movimento de L.A. Noire terminava no vale da estranheza, enquanto o vídeo permanecia natural.
O limite de cinco resultados por busca forçava os jogadores a pensar como investigadores em vez de consumir clipes em ordem.
Uma atriz, uma sala, um banco de dados fizeram um orçamento minúsculo e uma ambição enorme se encaixarem.
Quando o problema difícil é preservar uma atuação humana, a solução elegante é reenquadrar o problema: manter o vídeo bruto e fazer da interface em si a camada interativa.
Her Story tornou-se o ponto de articulação de uma onda revivida de FMV e um modelo para mistérios movidos por banco de dados. Barlow ampliou a mecânica com Telling Lies em 2019 (conversas completas, vídeo pesquisável) e Immortality em 2022; outros estúdios impulsionaram o mesmo formato de buscar e remontar por anos depois. Também reenquadrou o debate sobre se a interatividade precisa significar combate, menus ramificados ou ação do jogador.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- The story behind Her Story PC Gamer · pcgamer.com ·
- Watching as Detectives: The Truth Behind 'Her Story' Vice · vice.com ·
- British Academy Games Awards Winners Announced BAFTA · bafta.org ·