O Más País, um pequeno partido espanhol de esquerda, argumentava que a Espanha trabalha mais horas do que a média europeia, mas não está entre os países mais produtivos. Depois de a pandemia ter agudizado o debate sobre o esgotamento e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, o partido queria que as empresas testassem uma semana de 32 horas — mas as empresas, por si só, não iriam correr esse risco.
A ideia
O Estado garante um experimento de semana de quatro dias: os subsídios cobrem os custos do teste a 100%, 50% e 33% ao longo de três anos, para que as empresas testem as 32 horas e sejam os dados a decidir.
Iñigo Errejón e Héctor Tejero propuseram um projeto-piloto de três anos e 50 milhões de euros para cerca de 200 empresas e 3.000 a 6.000 trabalhadores: o Estado cobre os custos do teste de redução de horas a 100% no primeiro ano, 50% no segundo e 33% no terceiro, com linhas vermelhas de uma redução genuína das horas e nenhuma perda de salário ou de postos de trabalho. Um painel de especialistas incluindo o governo, os sindicatos e as associações empresariais orientaria o projeto-piloto e analisaria os resultados.
O governo concordou em lançar o projeto-piloto, que a 4 Day Week Campaign classificou como o primeiro teste da semana de quatro dias a nível nacional de sempre, e as conversações começaram, com o outono de 2021 a ser apontado como possível início. O anúncio atraiu atenção internacional, além de discussão no Hacker News (167 pontos, 141 comentários), e a oposição da associação empresarial CEOE, cujo líder chamou à ideia 'loucura', numa altura em que a Espanha atravessava a sua pior recessão desde a guerra civil.
Contexto
No início de 2021, o pequeno partido espanhol de esquerda Más País anunciou que o governo tinha aceitado a sua proposta de testar uma semana de trabalho de quatro dias. 'É uma ideia cujo momento chegou', disse o presidente do partido, Iñigo Errejón, apontando um paradoxo nacional: os trabalhadores espanhóis fazem mais horas do que a média europeia, mas o país não está entre os mais produtivos. A pandemia tinha tornado o bem-estar, o esgotamento e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal as questões prementes do momento.
O desenho do partido transformou a ideologia num experimento com o Estado como tomador de risco: um projeto-piloto de três anos e 50 milhões de euros que permitia às empresas testar a redução de horas com risco mínimo, com os custos cobertos a 100% no primeiro ano, 50% no segundo e 33% no terceiro, visando cerca de 200 empresas e 3.000 a 6.000 trabalhadores. As linhas vermelhas eram um corte genuíno das horas e nenhuma perda de salário ou de postos de trabalho, e um painel de especialistas do governo, dos sindicatos e das associações empresariais analisaria os resultados. Tejero estimou que o projeto-piloto poderia começar no outono de 2021 — a primeira iniciativa nacional desde que a França limitou a semana de trabalho a 35 horas em 1998.
A proposta apoiava-se num precedente: a Software Delsol, uma empresa do sul de Espanha, tinha-se tornado no ano anterior na primeira empresa do país a implementar a semana de quatro dias, relatando menos absentismo, maior produtividade e trabalhadores mais felizes. A reação dividiu-se como esperado — uma fonte do ministério da indústria disse que as conversações ainda eram iniciais, enquanto Ricardo Mur, da associação empresarial CEOE, chamou à ideia 'loucura' durante a pior recessão de Espanha desde a guerra civil. No estrangeiro, Joe Ryle, da 4 Day Week Campaign, chamou-lhe o primeiro projeto-piloto a nível nacional de sempre e apelou aos governos de todo o mundo para seguirem o exemplo de Espanha.
A escada de subsídios — 100%, depois 50%, depois 33% do custo — acompanhava a curva de aprendizagem, pelo que o Estado assumia o risco enquanto as empresas recolhiam dados e depois recuavam.
As linhas vermelhas (redução real de horas, nenhuma perda de salário ou de emprego) impediram que o projeto-piloto se tornasse um corte salarial disfarçado, e foi isso que permitiu aos sindicatos e aos trabalhadores apoiá-lo.
Converteu uma luta ideológica num experimento: um painel do governo, dos sindicatos e das associações empresariais julgaria os resultados em vez dos slogans.
Um precedente empresarial concreto — a Software Delsol — deu evidência à ideia antes de a política existir, pelo que o projeto-piloto era lido como uma questão de escala, não como um ato de fé.
A pandemia tinha feito do esgotamento uma conversa nacional, pelo que um partido sem maioria de governo podia ainda assim definir a agenda com uma proposta enquadrada como 'o verdadeiro debate do nosso tempo'.
Mover o risco para fazer acontecer um experimento laboral controverso: quando o Estado garante o teste e o liga a cortes reais de horas sem perda de salário, as empresas testam-no.
Na altura da publicação, o projeto-piloto ainda estava a tomar forma: uma fonte do ministério da indústria disse que as conversações estavam nas fases iniciais, com o custo, a escala e o calendário todos em aberto. A associação empresarial CEOE manteve-se hostil — o seu líder chamou à ideia 'loucura', numa altura em que a Espanha se debatia com a sua pior recessão desde a guerra civil — enquanto os ativistas trataram o anúncio como um precedente. Joe Ryle, da 4 Day Week Campaign, descreveu-o como o primeiro projeto-piloto a nível nacional de sempre e apelou aos governos de todo o mundo para seguirem o exemplo de Espanha.
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As fontes
- Spain to launch trial of four-day working week The Guardian · theguardian.com ·
- Spain to launch trial of four-day working week (Hacker News discussion) Hacker News · news.ycombinator.com ·
- Software Delsol, first Spanish company to implement the four-day working week elDiario.es · eldiario.es