A Red Bull havia construído sua imagem com patrocínios de esportes radicais, mas queria um evento próprio grande o suficiente para ser ele mesmo mídia — conteúdo capaz de atrair público sem comprar um intervalo comercial.
A ideia
Produzir, em vez de comprar, um evento recordista mundial: transmitir ao vivo Baumgartner quebrando a barreira do som em queda livre a partir da estratosfera, com a marca entrelaçada à missão.
A Red Bull Media House conduziu uma missão de vários anos (anunciada em 2010) com cientistas, incluindo o diretor médico Jonathan Clark. Em 14 de outubro de 2012, Baumgartner subiu em um balão de hélio até cerca de 128.000 pés (39 km) sobre o Novo México, saltou e pousou em segurança minutos depois, tendo se tornado o primeiro ser humano a quebrar a barreira do som em queda livre — 833,9 mph inicialmente, depois revisado para 843,6 mph (Mach 1,25). Toda a missão foi transmitida ao vivo no canal da Red Bull no YouTube.
Mais de 8 milhões de espectadores simultâneos assistiram à transmissão ao vivo no YouTube — o maior público de uma transmissão ao vivo até então, cerca de 16 vezes o tráfego da NBC nas Olimpíadas de Londres 2012 — e o próprio blog do YouTube confirmou o recorde. A missão também gerou os primeiros dados fisiológicos de uma queda livre supersônica e mais de 100 milhões de pontos de dados, segundo a equipe.
Contexto
O Red Bull Stratos foi um projeto para fazer o paraquedista austríaco Felix Baumgartner saltar da borda do espaço, planejado publicamente desde 2010 e executado em 14 de outubro de 2012. Baumgartner subiu em um balão de hélio até cerca de 128.000 pés (39 km) sobre o Novo México, então saiu e caiu de volta à Terra, tornando-se o primeiro ser humano a quebrar a barreira do som em queda livre sem veículo. A telemetria inicial indicou sua velocidade máxima em 833,9 mph (Mach 1,24); a divulgação final dos dados da missão a revisou para 843,6 mph (Mach 1,25).
Em vez de comprar espaços na televisão, a Red Bull Media House fez da própria missão o produto midiático. A subida e o salto foram transmitidos ao vivo no canal da Red Bull no YouTube, com a marca integrada a cada quadro da transmissão. O YouTube confirmou depois que a transmissão atraiu mais de oito milhões de espectadores simultâneos — o maior número de espectadores simultâneos de qualquer transmissão ao vivo na história do YouTube até aquele momento, e cerca de dezesseis vezes o tráfego da cobertura ao vivo das Olimpíadas de 2012 da NBC, que detinha o recorde anterior.
Além dos recordes de audiência, a missão foi concebida e conduzida como ciência tanto quanto espetáculo: a equipe incluía o diretor médico Jonathan Clark, coletou mais de 100 milhões de pontos de dados durante o voo e desenvolveu protocolos e equipamentos (incluindo um tratamento para ebullismo e um novo sistema de acionamento de paraquedas) que, segundo a equipe, poderiam orientar futuras operações em alta altitude e no espaço. Baumgartner pousou em segurança no deserto do Novo México minutos após o salto.
A campanha é amplamente vista como um marco no conteúdo de marca: uma empresa de bebidas energéticas organizando, produzindo e distribuindo um evento global ao vivo cujo atrativo era o próprio feito, com o logotipo do produto fisicamente presente na borda do espaço.
Um feito sem precedentes é seu próprio motor de distribuição — veículos de imprensa e espectadores divulgaram a transmissão porque o evento era genuinamente histórico, não porque a Red Bull pagou por espaço.
Um evento ao vivo cria audiência marcada e suspense compartilhado que um filme finalizado não consegue, e é por isso que a transmissão quebrou o recorde de simultaneidade do YouTube.
Apresentar a façanha como uma missão científica (equipe médica, dados, protocolos) deu-lhe legitimidade e ampliou a história além do esporte, alcançando a cobertura de aeronáutica e tecnologia.
A marca era inseparável do conteúdo — a cápsula, o traje e a transmissão levavam a Red Bull —, de modo que reconhecimento e associação cresceram na mesma proporção que a audiência.
Uma marca pode se tornar produtora do evento ao qual quer ser associada: quando o conteúdo é genuinamente sem precedentes, a distribuição vem de graça.
A missão estabeleceu ou igualou vários recordes mundiais — maior queda livre, maior voo tripulado em balão e velocidade vertical máxima — e o filme oficial de destaques se espalhou ainda mais depois que a transmissão ao vivo terminou. O Stratos tornou-se o ponto de referência para a estratégia de conteúdo da Red Bull e para qualquer marca que queira possuir, em vez de alugar, um momento de atenção massiva: o salto foi posteriormente citado na cobertura do crescimento do canal da Red Bull, que já havia ultrapassado 365 milhões de visualizações de vídeo no dia do evento.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Felix Baumgartner skydive sets record for YouTube live streams too Los Angeles Times · latimes.com ·
- 'Space jump' in YouTube record Digital Spy · digitalspy.com ·
- Red Bull Stratos Event Shatters Record For Live Stream Traffic Tubefilter · tubefilter.com ·
- Red Bull Stratos final data reveals Baumgartner hit Mach 1.25 TechRadar · techradar.com ·