O prefeito verde Éric Piolle venceu a eleição municipal de 2014 em parte com a promessa de liberar as ruas de Grenoble da publicidade, depois que uma pesquisa de 2013 mostrou que três quartos dos moradores consideravam os anúncios invasivos.

Tratar a publicidade de rua como infraestrutura descartável: deixar o contrato expirar, desmontar os painéis e devolver o espaço na forma de árvores e murais de avisos cidadãos gratuitos.

Grenoble não renovou o contrato de mobiliário urbano de dez anos com a JCDecaux — no valor de cerca de € 600.000 por ano — e não abriu nova licitação. Entre janeiro e abril de 2015, a empresa removeu 326 painéis (227 'sucettes' de nível de rua, 20 colunas e 64 grandes outdoors), liberando mais de 2.000 m²; a cidade plantou cerca de 50 árvores jovens no local e abriu o espaço para murais de avisos gratuitos e não comerciais para cidadãos, associações e cartazes culturais.

Em julho de 2015, quase todos os 326 painéis haviam desaparecido, com mais árvores plantadas do que o anunciado originalmente, e Grenoble passou a ser chamada de primeira cidade europeia a renunciar à receita de outdoors. A medida tornou-se uma referência: os grupos franceses anti-publicidade passaram de cinco em 2016 para 29 em 2020, Paris suspendeu planos de novos painéis digitais depois que 95% dos mais de 2.000 participantes da consulta se opuseram a eles, e a própria Grenoble começou a revisar as regras sobre placas privadas e iluminadas.

Grenoble, uma cidade de cerca de 160.000 habitantes nos Alpes franceses, havia assinado um contrato de mobiliário urbano de dez anos com a JCDecaux que permitia ao grupo publicitário instalar outdoors, colunas de publicidade e painéis de abrigos de ônibus no espaço público. Quando o contrato expirou no final de 2014, o recém-eleito prefeito verde Éric Piolle cumpriu uma promessa de campanha: não o renovou e anunciou que a publicidade seria desmontada e substituída por vegetação.

Os números tornaram a decisão concreta. De janeiro a abril de 2015, a JCDecaux removeu 326 painéis — 227 'sucettes' de nível de rua, 20 colunas de publicidade e 64 grandes outdoors — liberando mais de 2.000 metros quadrados de espaço público. Em seu lugar, a cidade plantou cerca de 50 árvores jovens e abriu espaço para murais de avisos gratuitos onde moradores, associações e organizações culturais podiam afixar sem pagar.

A cidade argumentou que o sacrifício era pequeno: o antigo contrato rendia cerca de € 600.000 por ano, e um acordo renovado deveria valer apenas cerca de € 150.000, à medida que o setor migrava para telas digitais, que o prefeito não queria em uma cidade 'apaisée' (mais calma). Uma pesquisa de 2013 havia constatado que três quartos dos moradores sentiam que a publicidade estava se tornando invasiva, e os opositores da medida ainda criticavam a receita perdida — cerca de 1% do orçamento municipal de € 370 milhões — e a remoção das familiares colunas de publicidade.

Seis meses depois, fotos de antes e depois da franceinfo mostraram que a mudança era real: a maioria dos 326 painéis havia desaparecido, uma fileira de cinco árvores estava onde um outdoor havia ficado de frente para uma praça, e a cidade disse ter plantado mais árvores do que prometera. Nem tudo desapareceu — os anúncios nos abrigos de ônibus permaneceram sob um contrato separado da autoridade de transportes — e Grenoble iniciou uma revisão mais longa das regras sobre placas privadas, que prosseguiu nos anos seguintes.

A cidade usou um prazo natural — o contrato de dez anos expirando — em vez de travar uma batalha judicial, de modo que a mudança custou pouco e não enfrentou pedidos de indenização.

Substituir anúncios por árvores e murais de avisos cidadãos gratuitos transformou uma política abstrata (menos publicidade) em bens públicos visíveis e positivos que os moradores podiam tocar.

O sacrifício de receita foi honesto e pequeno: € 600.000 por ano era menos de 1% do orçamento, e a renovação renderia apenas um quarto disso, enfraquecendo o argumento comercial para manter os anúncios.

Um prefeito que fez campanha com a promessa transformou a remoção em prova de cumprimento, o que tornou a decisão digna de notícia e deu a outras cidades francesas um modelo repetível.

Um contrato que expira é uma chance de redefinir para que serve o espaço público: Grenoble trocou o aluguel decrescente de anúncios por árvores e murais de avisos cidadãos, tornando a escolha visível o suficiente para outras cidades copiarem.

A publicidade nos abrigos de ônibus e bondes sobreviveu porque aquele contrato pertencia à autoridade regional de transportes, e foi posteriormente renovado, de modo que Grenoble nunca se tornou totalmente livre de anúncios. A cidade ainda enfrentou a publicidade privada, lançando uma revisão das regras locais para acabar com grandes placas de 8 m² e placas iluminadas. A remoção de 2015 tornou-se uma referência para o movimento anti-publicidade francês — os grupos ativistas passaram de cinco em 2016 para 29 em 2020 — e Paris suspendeu novos painéis digitais depois que a maioria dos participantes da consulta se opôs a eles.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. French city Grenoble bans advertising in favour of trees France 24 · france24.com ·
  2. Grenoble se détourne de la publicité au profit de "sa vie de quartier" (maire) franceinfo · franceinfo.fr ·
  3. Avant/Après: la pub a déserté les rues de Grenoble franceinfo · franceinfo.fr ·
  4. The growing global movement to end outdoor advertising Inter Press Service · ipsnews.net