Em 2011, os funcionários da Volkswagen com BlackBerrys da empresa podiam ser contatados por e-mail a quase qualquer hora, e o conselho de trabalhadores temia que a luz vermelha piscando estivesse borrando a linha entre trabalho e vida privada e alimentando o esgotamento. A direção e o conselho de trabalhadores negociaram um acordo de empresa para estabelecer um limite que toda a companhia respeitaria.

Fazer o servidor de e-mail bater o ponto junto com o trabalhador: 30 minutos após o fim de um turno, ele para de encaminhar mensagens e volta a funcionar 30 minutos antes do turno seguinte.

Pelo acordo, os servidores de e-mail da Volkswagen pararam de encaminhar mensagens aos BlackBerrys dos funcionários 30 minutos após o fim de um turno e só voltavam a funcionar 30 minutos antes do turno seguinte — um limite automático que não dependia da força de vontade de ninguém. A medida valia para mais de 1.000 funcionários com BlackBerrys da empresa cuja remuneração se enquadrava nos acordos coletivos de salário; a alta direção e os funcionários fora das faixas salariais negociadas pelo sindicato ficavam isentos, e as ligações telefônicas continuavam funcionando a qualquer hora.

O desligamento gerou cobertura internacional em poucos dias como um dos primeiros blecautes de e-mail corporativo, com o conselho de trabalhadores relatando retorno positivo dos trabalhadores; seu verdadeiro produto foi um novo padrão — a tecnologia impondo o fim do dia de trabalho, em vez de os funcionários o imporem a si mesmos.

No fim de 2011, o conselho de trabalhadores da Volkswagen anunciou um acordo incomum com a direção: os servidores de e-mail da empresa parariam de encaminhar mensagens aos BlackBerrys dos funcionários 30 minutos após o fim de um turno, e só retomariam 30 minutos antes do início do turno seguinte. A regra era voltada aos funcionários cuja remuneração se enquadrava nos acordos coletivos de salário — mais de 1.000 pessoas com BlackBerrys da empresa — e não se aplicava à alta direção.

O gatilho foi o esgotamento. Sindicatos alemães e especialistas em ambiente de trabalho vinham se alarmando com o fato de os smartphones tornarem os funcionários permanentemente acessíveis, e o conselho de trabalhadores da Volkswagen argumentava que o e-mail constante borrava a fronteira entre trabalho e vida privada. Em vez de pedir às pessoas que ignorassem seus dispositivos, a empresa fez o próprio servidor impor o limite.

O arranjo virou notícia internacional quase imediatamente, com veículos relatando o "blecaute de e-mail" como uma novidade nas relações trabalhistas. O conselho de trabalhadores disse que o retorno dos trabalhadores afetados era positivo. As ligações telefônicas continuavam possíveis a qualquer hora, então a regra não era um congelamento total da comunicação — ela mirava a caixa de entrada assíncrona que se acumulava durante a noite e exigia atenção na manhã seguinte.

A Volkswagen apresentou o acordo como proteção ao funcionário, e a cobertura alemã o tratou como um marco no crescente debate sobre o estresse digital. Heinz-Joachim Thust, do conselho de trabalhadores, disse ao Wolfsburger Allgemeine Zeitung que as novas possibilidades de comunicação traziam perigos inerentes — a resposta da empresa foi desligá-las por padrão fora do horário.

Tratou o e-mail fora do horário como um problema de infraestrutura, solucionável pelo servidor, e não como um problema de disciplina de cada trabalhador.

Um acordo de empresa negociado deu à regra respaldo jurídico e sindical, de modo que ela não dependia da boa vontade de gerentes individuais.

As folgas de meia hora respeitavam o fato de que os turnos raramente terminam exatamente no horário.

Isentar a alta direção tornou a política politicamente viável, ainda protegendo os trabalhadores que queriam proteção.

Manter as ligações telefônicas disponíveis evitou a aparência de cortar os trabalhadores de emergências genuínas.

Quando uma ferramenta de disponibilidade permanente é o problema, conserte a ferramenta, não a pessoa: desligar o servidor no limite do dia de trabalho torna o descanso o padrão, em vez de uma luta pessoal.

O arranjo da Volkswagen tornou-se um exemplo inicial amplamente citado de política corporativa de desligamento, à frente do que mais tarde se consolidou como o debate do "direito à desconexão" na Alemanha e na Europa. Seu desenho — automático, no lado do servidor, negociado com o conselho de trabalhadores — foi a parte que o tornou portável: a ideia não era dar lições aos trabalhadores sobre seus celulares, mas fazer o sistema parar de entregar trabalho fora do horário. A cobertura da regra ainda é usada como referência para quando as empresas começaram a desligar a caixa de entrada de disponibilidade permanente.

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As fontes

  1. VW Gives Blackberry-Wielding Workers a Silent Night CNBC · cnbc.com ·
  2. Volkswagen turns off Blackberry email after work hours BBC News · bbc.com ·