Em 2005, o Zimbábue tinha cerca de 10 psiquiatras para atender 13 milhões de pessoas, e a doença mental carregava forte estigma; mesmo os pacientes que chegavam a Harare muitas vezes não tinham como custear a viagem. Depois de perder um jovem paciente por suicídio, o psiquiatra Dixon Chibanda buscou um cuidado que pudesse existir dentro das comunidades.

Redesenhar o cuidado em saúde mental diante da escassez de psiquiatras: avós treinadas em terapia de resolução de problemas escutam em bancos públicos, reduzindo o estigma.

A partir de 2006, Chibanda e colegas treinaram 14 avós voluntárias no município de Mbare, em Harare, para oferecer gratuitamente terapia pela conversa baseada em resolução de problemas, realizada em bancos de madeira do lado de fora das clínicas, com triagem e encaminhamento dos casos graves. O modelo foi testado em um ensaio clínico randomizado por conglomerados em 2016, em 24 clínicas de Harare, comparando seis sessões de terapia aplicada por agentes leigos mais apoio entre pares com o cuidado padrão.

No ensaio publicado no JAMA, os pacientes da intervenção obtiveram 3,8 contra 8,9 no Questionário de Sintomas Shona aos seis meses, e os sintomas de depressão caíram para 13,7% contra 49,9% no grupo de controle. A CBS News informou que o modelo cresceu para mais de 3.000 ouvintes mais velhos atendendo mais de 300.000 pessoas por ano no Zimbábue, com projetos-piloto em mais de nove países, incluindo os Estados Unidos.

Em 2005, o psiquiatra Dixon Chibanda perdeu uma paciente de 25 anos por suicídio; a família dela não tinha o dinheiro da passagem para percorrer as 200 milhas até o hospital dele. O Zimbábue tinha então cerca de 10 psiquiatras para 13 milhões de pessoas, e por isso Chibanda começou a buscar uma forma de levar o cuidado para dentro das comunidades, em vez de esperar que os pacientes chegassem a um especialista.

A partir de 2006, ele e colegas treinaram 14 avós voluntárias no município de Mbare, em Harare, em terapia de resolução de problemas, oferecida gratuitamente em bancos de madeira do lado de fora das clínicas. O programa foi inicialmente chamado de Mental Health Bench; as avós sugeriram o nome mais acolhedor depois que o estigma afastava as pessoas. A terapia de seis sessões foi combinada com triagem e encaminhamento, e um ensaio clínico randomizado por conglomerados em 2016, em 24 clínicas de Harare, constatou que os pacientes da intervenção obtiveram média de 3,8 contra 8,9 no Questionário de Sintomas Shona aos seis meses, com sintomas de depressão em 13,7% contra 49,9% no grupo de controle.

O modelo se espalhou pelas dez províncias do Zimbábue e foi replicado em mais de dez países; até 2025, a CBS News informou que mais de 3.000 ouvintes mais velhos treinados atendiam mais de 300.000 pessoas por ano no Zimbábue, além de projetos-piloto nos Estados Unidos conduzidos com a HelpAge USA. Chibanda publicou depois um livro sobre o programa, e sua palestra TEDWomen de 2017 acumulou milhões de visualizações.

Reenquadrou um problema de recursos como um problema de design: em vez de exigir mais psiquiatras, transformou avós de confiança no primeiro ponto de contato.

Levar a terapia para um banco do lado de fora da clínica removeu o estigma e os custos de transporte que afastavam as pessoas do cuidado especializado.

As próprias avós foram a sacada: guardiãs da cultura local, enraizadas em suas comunidades, capazes de escutar sem julgamento.

Testes rigorosos — um ensaio clínico randomizado por conglomerados publicado no JAMA — transformaram uma invenção local em evidência que outros países podiam adotar.

Quando falta uma profissão, vá onde a confiança já existe: figuras comunitárias respeitadas e espaços públicos comuns podem levar ideias clínicas mais longe do que a clínica consegue.

O Friendship Bench tornou-se um dos modelos de transferência de tarefas mais citados da saúde mental global, refinado e adaptado nas dez províncias do Zimbábue e replicado em mais de dez países, com o respaldo de mais de 100 publicações revisadas por pares. A CBS News documentou a expansão para mais de nove países, incluindo um projeto-piloto em Washington DC com a HelpAge USA. Chibanda publicou 'The Friendship Bench: How Fourteen Grandmothers Inspired a Mental Health Revolution' e continua professor de psiquiatria na Universidade do Zimbábue e na LSHTM.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. The Founder — Dixon Chibanda Friendship Bench · friendshipbench.org
  2. Effect of a Primary Care-Based Psychological Intervention on Symptoms of Common Mental Disorders in Zimbabwe: A Randomized Clinical Trial JAMA (via LSHTM Research Online) · researchonline.lshtm.ac.uk ·
  3. The Friendship Bench: Bringing talk therapy into underserved communities CBS News · cbsnews.com ·