Rob Wijnberg foi afastado do cargo de editor-chefe do nrc.next quando a empresa controladora quis que o jornal fosse 'mais noticioso', e o também jornalista Ernst-Jan Pfauth estava igualmente desempregado. Em março de 2013, os dois foram à televisão nacional holandesa apresentar uma plataforma totalmente digital e sem publicidade, na qual correspondentes escolhiam temas pela profundidade em vez da velocidade, e na qual os leitores ajudavam a apurar as reportagens.
A ideia
Financiar a redação antes de o produto existir: vender assinaturas anuais a €60 apenas com base em um manifesto, e deixar que os leitores que pagam se tornem a rede de apuração.
A campanha vendeu uma ideia sem nenhum site para mostrar: €60 compravam uma assinatura anual de um jornalismo que ainda não havia sido escrito, orientado por dez princípios de manifesto como 'jornalismo acima de receita' e 'de leitores a participantes'. Wijnberg apresentou a proposta na TV em 18 de março de 2013; metade da meta chegou em 24 horas e, após oito dias, 15 mil pessoas haviam prometido contribuições, levando o total além de €1 milhão, cerca de US$ 1,3 milhão. Nenhum anúncio jamais seria veiculado e o lucro foi limitado a cinco por cento, e os membros foram recrutados como participantes: repórteres enviam e-mails a eles em busca de conhecimento não remunerado sobre pautas em andamento.
O De Correspondent foi lançado em 30 de setembro de 2013, depois que mais de 18 mil membros aderiram por meio da campanha. Quatro anos depois, contava com 59 mil assinantes pagantes e 46 funcionários em tempo integral, e a imprensa o descreveu como um antídoto à rotina diária de notícias; o site agora informa mais de 60 mil membros e continua sem publicidade e financiado por membros.
Contexto
No final de 2012, Rob Wijnberg perdeu o emprego de editor-chefe do nrc.next quando a controladora NRC Media quis que o jornal fosse 'mais noticioso', e o também jornalista Ernst-Jan Pfauth estava igualmente desempregado. Wijnberg foi para casa, escreveu um livro sobre o que as notícias haviam se tornado e voltou com a ideia de uma plataforma totalmente digital que ignoraria o ciclo diário de notícias em favor de contexto e profundidade.
A aposta fundadora do De Correspondent foi financiar a redação antes de as notícias existirem. Em março de 2013, a dupla vendeu assinaturas anuais a €60 com base em um manifesto de dez pontos — sem site, sem artigos de exemplo, sem detalhes do produto que viria —, apresentando o conceito na televisão nacional holandesa em 18 de março. Metade da meta chegou em um dia e, após oito dias, 15 mil pessoas haviam prometido contribuições, levando a campanha além de €1 milhão, cerca de US$ 1,3 milhão.
A estrutura tornou a promessa crível: nenhuma publicidade, um teto de cinco por cento sobre o lucro e correspondentes que atuavam como guias, escolhendo temas porque importavam e não porque eram urgentes. Os leitores também foram recrutados como participantes — repórteres enviavam e-mails aos membros em busca de conhecimento não remunerado sobre pautas em andamento, transformando milhares de assinantes em uma rede de apuração distribuída.
O site foi lançado em 30 de setembro de 2013 com mais de 18 mil membros. Em 2017, contava com 59 mil assinantes pagantes e 46 funcionários em tempo integral, descrito pela imprensa como um 'antídoto à rotina diária de notícias', e informa hoje mais de 60 mil membros.
Vender um manifesto em vez de um produto fez da própria instituição aquilo que as pessoas financiavam — a campanha financiou as regras antes do jornalismo.
A assinatura substituiu a publicidade, de modo que o incentivo passou a apontar para o valor entregue ao leitor em vez da atenção.
O teto de cinco por cento sobre o lucro tornou 'jornalismo acima de receita' estruturalmente crível, e não apenas um slogan.
Convidar os membros para a apuração converteu assinantes passivos em uma redação distribuída.
Quando você não pode mostrar o produto, venda os princípios que vão regê-lo: as pessoas pagaram €60 por um manifesto porque as regras prometiam o jornalismo que queriam ver existir.
O modelo se mostrou duradouro em casa, mas não viajou como pacote: em 2018, o De Correspondent levantou US$ 2,6 milhões para lançar um irmão em inglês, o The Correspondent, que começou a publicar em setembro de 2019. Seus membros fundadores em grande parte não renovaram, seguiram-se evasão e queda no valor médio das assinaturas, e o site anunciou em dezembro de 2020 que encerraria as atividades em 31 de dezembro, projetando um prejuízo de €900 mil contra €1 milhão em receita. O próprio De Correspondent continuou operando como um veículo financiado por membros e sem publicidade.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- A Dutch crowdfunded news site has raised $1.3 million and hopes for a digital-native journalism Nieman Lab · niemanlab.org ·
- Dutch website offers US 'antidote' to daily news grind France 24 · france24.com ·
- The Correspondent, De Correspondent's English-language site, is shutting down on Dec. 31 Nieman Lab · niemanlab.org ·
- About De Correspondent De Correspondent · decorrespondent.nl