O Egito celebra seu passado de design faraônico, copta e islâmico, mas ignora sua herança de rua viva — os carrinhos de fuul pintados, os caminhões com caligrafia e os tuktuks decorados que ainda trabalham todos os dias.
A ideia
Não imitar a arte popular, usar os originais: carrinhos karro desativados viram móveis com sua pintura, amuletos e nomes de crianças intactos.
Em uma entrevista ao CairoScene, a fundadora Howayda Abouheif relembra como rastreou carrinhos de dono em dono por vielas e vilarejos, restaurando os bons inteiros ou dividindo-os em partes — uma roda de madeira vira mesa de chá, fragmentos viram cadeiras, espelhos, cabides de toalha.
A HodHod foi lançada em junho de 2026 e vende por meio de um punhado de varejistas no Cairo e na Costa Norte; sua premissa reenquadra objetos de rua em uso como material de design, e não como sucata.
Contexto
Em uma entrevista ao CairoScene publicada em 8 de outubro de 2026, a produtora de televisão Howayda Abouheif descreve como a HodHod — batizada em homenagem à ave poupa — começou em junho de 2026 com um desejo simples: uma mesa de centro para seu jardim, feita de um velho 'karro', o carrinho de madeira puxado por cavalo ou burro há muito usado pelos vendedores ambulantes do Egito. Ela há muito colecionava arte de rua vernacular 'shaabi', e seus anos no exterior, inclusive na Itália, a levaram a perguntar como esses objetos distintamente egípcios poderiam se encaixar em interiores contemporâneos.
Sua observação inicial, como ela coloca: o Egito olha para seu passado faraônico, copta e islâmico em busca de design, 'mas realmente não olhamos para essa herança cultural como algo de valor... talvez porque ela ainda esteja viva nas ruas hoje'. Os carrinhos são registros de seus usuários, ela relembra — suas esperanças, até os nomes de seus filhos —, mas os triciclos motorizados os tornaram impraticáveis e as rodas de borracha substituem as de madeira. Em vez de imitar a aparência, a HodHod trabalha com originais: alguns karros precisam apenas de restauração menor; outros são desmontados, já que 'você pode fazer cem peças com ele'.
As peças são vendidas por meio de um punhado de varejistas no Cairo e na Costa Norte, e Abouheif descreve o trabalho como 'não móveis... é como pendurar uma pintura'. Ela já planeja o mesmo tratamento para antigos carrinhos de fuul, os carrinhos de sorvete de Alexandria e os barcos a remo do Nilo — mantendo, em todos os casos, as marcas que os objetos já carregam.
A cultura de design do Egito reverencia a herança antiga enquanto ignora os objetos de trabalho decorados ainda em uso diário nas ruas.
Os originais carregam registros insubstituíveis — pintura, amuletos, nomes de crianças — que uma imitação apagaria.
Triciclos motorizados e rodas de borracha estão tirando os carrinhos de serviço, tornando a restauração uma forma de manter o registro.
Um carrinho rende muitas peças, então a marca pode escalar a produção sem fabricar novos objetos 'populares'.
A herança não precisa ser escavada: objetos que ainda trabalham nas ruas carregam valor de design — use-os inteiros, com marcas e tudo, em vez de imitar o estilo.
A marca está em seus primeiros dias, mas já olha além do karro para carrinhos de fuul, carrinhos de sorvete de Alexandria e barcos a remo do Nilo. Abouheif espera que o trabalho incentive as pessoas a experimentar com as cores e tradições já ao seu redor, em vez de recorrer aos padrões ocidentais do que é moda.
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As fontes
- HodHod Is Bringing Egypt's Street Culture Into The Home CairoScene · cairoscene.com ·