As roupas são cortadas de tecido plano, então o desperdício de retalhos é inevitável; Kawasaki trata a fase de modelagem — onde o desperdício se acumula — como a alavanca de sustentabilidade, em vez de trocar por novos materiais.
A ideia
Usar aprendizado de máquina e simulação 3D para otimizar a modelagem das peças de modo que o tecido que seria descartado entre as partes seja eliminado por design antes do corte.
Aprendizado de máquina mais simulação 3D geram layouts de modelagem otimizados, instalados dentro da própria produção das marcas: um protótipo da HATRA, a jaqueta do projeto TYPE-IX Synflux da A-POC ABLE ISSEY MIYAKE, o projeto SYN-GRID da Goldwin que abastece as linhas The North Face, e os uniformes de equipe da Kanadevia para o pavilhão 'Future City' da Expo Osaka-Kansai.
Kawasaki afirma que a otimização reduz o uso de material em 10-15% (autodeclarado na entrevista); em maio de 2026, a Synflux se tornou a primeira empresa japonesa a vencer o grande prêmio do Trailblazer Programme do Global Fashion Summit, e fechou uma rodada de financiamento de ¥520 milhões em janeiro de 2026.
Contexto
Em uma entrevista à WIRED Japan publicada em 9 de outubro de 2026, Kazuya Kawasaki — designer de moda especulativa e CEO da Synflux — descreve a Alta-Costura Algorítmica, um sistema de design que aplica aprendizado de máquina e simulação 3D para otimizar a modelagem das peças antes de o tecido ser cortado, atacando o desperdício de retalhos que é inevitável quando o tecido plano é recortado em partes que se ajustam ao corpo. Ele afirma que só a otimização reduz o uso de material em 10-15% (autodeclarado na entrevista), sem a espera de uma década e a pressão de custos de substituir materiais.
O sistema nasceu de uma ideia de uma única folha de modelagem que ganhou um prêmio especial no CREATIVE HACK AWARD da WIRED Japan em 2018, foi prototipado ao longo de cerca de seis meses com a marca de moda HATRA e, desde então, foi incorporado à jaqueta do projeto TYPE-IX Synflux da A-POC ABLE ISSEY MIYAKE, ao projeto de produção em massa SYN-GRID da Goldwin — cujas linhas de produtos The North Face o adotam — e aos uniformes de equipe da Kanadevia exibidos no pavilhão 'Future City' da Expo Osaka-Kansai.
Kawasaki recorda 2026 como o ano de destaque: uma rodada de financiamento de ¥520 milhões concluída em janeiro, seu primeiro livro 'Fashion for the Planet' publicado em fevereiro e, em maio, o Global Fashion Summit em Copenhague nomeando a Synflux como a primeira empresa japonesa a vencer seu grande prêmio internacional do Trailblazer Programme — ele observa que isso aconteceu justamente quando o investimento em sustentabilidade enfrenta ventos contrários políticos e econômicos.
A modelagem é onde o desperdício de tecido mais se acumula, mas a maior parte do esforço de sustentabilidade se concentra nos materiais, que levam uma década para serem substituídos e elevam os custos.
O sistema se instala dentro da produção existente — sem novo material, sem novo maquinário —, de modo que as marcas podem adotá-lo sem pressão de custos.
A rota de Kawasaki é o que ele chama de 'cumplicidade': co-desenvolver dentro das linhas das marcas (ISSEY MIYAKE, Goldwin) em vez de vender um SaaS pronto de fora do sistema.
O maior desperdício está a montante da mesa de corte: otimize a modelagem em vez de apenas o material, e a sustentabilidade deixa de significar roupas mais caras.
Na entrevista, Kawasaki descreve a passagem de ideia estudantil para produção em massa: a parceria com a Goldwin ensinou à Synflux as responsabilidades de enviar milhares de peças por ano ao mundo, e ele agora argumenta que mudar a cadeia de suprimentos em escala planetária da indústria exige construir 'relações de cumplicidade' dentro do sistema, em vez de fornecer ferramentas de fora. A série de entrevistas do WIRED Innovation Awards 2026 o enquadra como um dos designers que levam esse argumento para a manufatura.
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As fontes
- 「共犯関係」を広げ、サプライチェーンをハックする:川崎和也(スペキュラティヴ・ファッションデザイナー)──WIRED Innovation Awards 2026 受賞者インタビュー WIRED Japan · wired.jp ·