No Brasil, pacientes negros esperam mais, têm consultas mais curtas e sofrem mais erros médicos, mas a educação médica quase não aborda o viés racial e apenas 3% dos médicos são negros. A IDOMED e o Instituto Yduqs queriam um material didático que enfrentasse o racismo estrutural de frente, em vez de deixá-lo a cargo de políticas públicas.

Tratar o racismo na medicina como uma doença: um livro didático de 'diagnósticos' com nomes em latim, além de um filme que desfoca pacientes negros para mostrar sua invisibilidade — a educação como cura.

A Artplan produziu 'Nigrum Corpus — Um estudo sobre racismo na medicina brasileira', um livro com 20 'doenças' fictícias, como Visio Alba Selectiva, construído a partir de 680 horas de depoimentos reais de pacientes, com ilustrações anatômicas misturadas a padrões florais, páginas em estilo de raio-X e comparações de dosagem. O programa Mediversidade acrescentou o curta-metragem 'Corpo Preto' (dirigido por Nany Oliveira), que mantém o paciente negro desfocado no enquadramento para simbolizar sua invisibilidade, com estreia em um cinema do Rio seguida de um debate.

O livro tornou-se material didático em 32 universidades brasileiras até 2025 e foi adotado por 17 instituições até 2026, chegando ao ministro da Saúde do Brasil. Conquistou o Grand Prix de Industry Craft do Cannes Lions 2025, dois Ouros e um Bronze em Health & Wellness e, em seguida, o Grand Prix de Glass: The Lion for Change 2026.

A IDOMED, grupo brasileiro de educação médica, e o Instituto Yduqs enfrentaram um problema que a maioria dos hospitais prefere não nomear: o racismo no atendimento. Dados brasileiros mostram que pacientes negros esperam em média 10 minutos a mais, têm consultas 47% mais curtas, recebem menos acesso a exames de imagem e enfrentam um intervalo 6,7 dias maior entre o diagnóstico e a cirurgia — enquanto apenas 3% dos médicos do país são negros. Em vez de um anúncio de utilidade pública, as instituições criaram material didático.

Com a Artplan São Paulo, publicaram 'Nigrum Corpus — Um estudo sobre racismo na medicina brasileira', um livro que renomeia práticas racistas como 20 'doenças' clínicas fictícias (como Visio Alba Selectiva, a visão branca seletiva), extraídas de 680 horas de depoimentos reais de pacientes. O design mistura ilustrações anatômicas com padrões florais que celebram a beleza negra e inclui páginas que simulam raio-X e comparações de dosagem — assim, o livro fala a linguagem visual da medicina enquanto expõe seu viés.

Ao lado dele, o programa Mediversidade lançou o curta-metragem 'Corpo Preto', dirigido por Nany Oliveira, que acompanha um homem negro em busca de um diagnóstico enquanto os profissionais o ignoram. O paciente é deliberadamente desfocado no enquadramento — uma metáfora visual para a invisibilidade imposta aos pacientes negros. O filme estreou em 1º de abril de 2025 em um cinema do Rio, seguido de um debate com especialistas, e depois se espalhou por cinemas, ativações com influenciadores, palestras e mídia externa.

O livro foi distribuído a escolas de medicina de todo o país, tornando-se material didático em 32 universidades até 2025 e sendo adotado por 17 instituições até 2026, além de chegar ao ministro da Saúde do Brasil. O trabalho conquistou o Grand Prix de Industry Craft do Cannes Lions 2025, dois Ouros e um Bronze em Health & Wellness e — um ano depois — o Grand Prix de Glass: The Lion for Change 2026, um raro segundo Grand Prix para o mesmo projeto.

Ataca a raiz do problema — a educação médica — em vez de veicular um anúncio de conscientização pontual, de modo que a campanha se torna currículo duradouro.

Enquadrar o racismo como um conjunto de 'diagnósticos' em um livro didático fala a língua da própria instituição, tornando o viés concreto, nomeável e ensinável.

O craft é a mensagem: a beleza anatômica, as páginas de raio-X e os nomes em latim obrigam os leitores a encarar a contradição dentro do cânone médico.

O recurso do paciente desfocado no filme traduz dados de pesquisa em uma imagem memorável, unindo evidência e emoção.

Transformou a IDOMED, um grupo educacional com fins lucrativos, na referência em equidade racial na medicina brasileira — uma marca construída por meio da contribuição social.

Nomeie o problema na língua da própria instituição: escrever o racismo como 'diagnósticos' clínicos tornou uma questão sistêmica ensinável — o próprio livro virou campanha e currículo ao mesmo tempo.

Até 2026, o 'Nigrum Corpus' havia sido adotado por 17 instituições e chegado ao ministro da Saúde do Brasil, enquanto o Mediversidade continuou reformulando currículos: aumento de 35% em cargos docentes afirmativos, 10% de vagas estudantis reservadas anualmente, simuladores de pacientes negros em laboratórios de treinamento e atendimento gratuito em clínicas-escola. O projeto conquistou o Grand Prix de Industry Craft do Cannes Lions 2025, dois Ouros e um Bronze em Health & Wellness e, em seguida, o Grand Prix de Glass: The Lion for Change 2026 — dois Grands Prix em dois anos.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. IDOMED conquista o Grand Prix no Cannes Lions 2025 com o projeto 'Nigrum Corpus' Blog IDOMED · idomed.com.br ·
  2. Cannes Lions 2025: 'Nigrum Corpus' escancara racismo médico e conquista o GP de Industry Craft B9 · b9.com.br ·
  3. Corpo Preto Clube de Criação · clubedecriacao.com.br ·
  4. Cannes Lions 2026 Grand Prix Winners in Glass: The Lion for Change LBBOnline · lbbonline.com ·